"Você sangra? Vai sangrar!"
Depois do desespero, a esperança aparentemente voltou a dar o ar da graça em Elbaf. Após a supressão absoluta imposta pelo Rei do Mundo e de chegar à beira da morte, Luffy retoma a iniciativa na batalha e, como tantas vezes ao longo de sua jornada, responde ao desespero da única maneira que conhece: avançando.
O capítulo começa exatamente onde o anterior terminou, com o golpe estrondoso da combinação dos três generais: Hajrudin, Loki e Luffy. O impacto é suficiente para fazer Imu tossir sangue em consequência do dano, mas a recuperação do Rei do Mundo é praticamente imediata. Loki, porém, não pretende lhe dar qualquer chance de respirar. Aproveitando a abertura, ele parte para cima e esmaga Imu com seu martelo, mantendo a pressão sobre uma figura que, até pouco tempo atrás, parecia absolutamente inabalável.
Mas este não é um capítulo marcado apenas pela força dos golpes da união por Elbaf. Oda faz esse capítulo carregar simbolismo, expresso tanto na própria batalha quanto nas palavras eloquentes e sinceras de Usopp.
Enquanto observa o combate, Gaban se frustra novamente ao perceber que Luffy continua lutando mesmo estando, supostamente, à beira da morte, pois Gaban não sabe que Luffy se recuperou usando a energia do estômago cheio (rs). O capitão dos Chapéus de Palha, entretanto, responde com os punhos. Luffy engana as chamas sencientes de Imu e encontra uma abertura para desferir uma espécie de Snake Man misturado com o Gatling Surume, em uma referência ao Kraken. É uma sequência que mostra Luffy fazendo aquilo que sempre fez de melhor: transformar sua imprevisibilidade em uma arma. É inegável que Luffy é um gênio em combate.
Apesar da estratégia brilhante, Imu é rápido ao reagir. O Rei do Mundo invoca um escudo através de suas lâminas gêmeas, Tohu e Va-Vohu, cujos nomes fazem referência a Tohu va-Vohu, expressão presente em uma das passagens iniciais do livro de Gênesis. A resistência da defesa é tamanha que, mesmo atacando incessantemente, Luffy termina com as mãos banhadas de sangue.
Assim que a chuva de golpes termina, Imu rapidamente une as duas lâminas de Haki e desfere um ataque terrível, esmagando Luffy contra o chão. No instante do impacto, o capitão dos Chapéus de Palha junta as mãos revestidas de Haki na tentativa de se defender.
É justamente nesse momento que Oda volta os olhos para Gaban.
O antigo braço esquerdo do Rei dos Piratas demonstra sua frustração diante do comportamento insano do capitão dos Chapéus de Palha. Para ele, considerando o estado atual de Luffy, já não existe sentido ou significado em permanecer no campo de batalha. Gaban então pede que Hajrudin o retire dali.
É quando, praticamente do nada, surge Usopp no ombro de Hajrudin. Sim, literalmente do nada, pois, no capítulo anterior, Usopp estava com Nami, longe do campo de batalha.
Contrariando diretamente a avaliação do antigo braço esquerdo do Rei dos Piratas, Usopp começa a narrar as aventuras e, principalmente, a conexão profunda construída entre os Chapéus de Palha e os gigantes ao longo da jornada. Em determinado momento, chega até a afirmar que Hajrudin é seu subordinado — ao que o gigante responde baixinho que, na verdade, é subordinado de Luffy. Para Usopp, porém, dá no mesmo (não tá errado rs)
A cena funciona como humor, mas o discurso que vem em seguida carrega um peso muito maior.
As palavras de Usopp não servem apenas para explicar a Gaban por que os Chapéus de Palha estão dispostos a arriscar suas vidas por Elbaf. Elas relembram que essa ilha, mesmo antes de ser alcançada, sempre esteve presente no coração da tripulação. De Little Garden aos Novos Piratas Gigantes, existe uma história épica construída. Luffy salvou aqueles que hoje lutam ao seu lado, mas essa relação nunca foi sustentada apenas por uma dívida de gratidão. Os gigantes sempre trataram os Chapéus de Palha como verdadeiros amigos, Dorry e Brogy fizeram questão de deixar isso claro quando foram resgatar o bando em Egghead.
E é justamente por isso que Elbaf possui um significado tão grande para a jornada do bando.
As palavras de Gaban carregam a visão de alguém que observa de longe, julgando apenas no calor do momento: um pirralho inconsequente gravemente ferido insistindo em permanecer em uma batalha que pode matá-lo. Usopp, por outro lado, responde com tudo aquilo que veio antes. Ele oferece a Gaban o contexto que lhe faltava. Para quem acompanha o bando desde Little Garden, abandonar Elbaf simplesmente porque Luffy está ferido jamais seria uma decisão sequer a se cogitar. E julgar o jeito do Luffy sem realmente conhecê-lo, é precipitado da parte de Gaban, mas logo ele percebe que está diante de uma pessoa que o convencional não se encaixa.
Afinal, para os Chapéus de Palha, os gigantes nunca foram apenas aliados encontrados pelo caminho. Eles fazem parte da própria história da tripulação, principalmente para o Usopp, que os gigantes estruturaram seu sonho adiante.
E uma coisa que notei é que até Gaban se espanta com a aparição repentina de Usopp. Será que o nosso Deus Usopp conseguiu esconder sua presença do Haki da Observação do braço esquerdo do Rei dos Piratas? Sogeking, ou melhor, o Bravo Guerreiro do Mar está prestes a surgir? Independente do que seja, impossível não se empolgar com o destaque mais que merecido ao nosso narigudo mentiroso.
O discurso de Usopp acontece em meio ao combate, quando ele grita que Luffy continua sendo o mesmo, Independentemente das expectativas de Gaban em relação ao seu capitão ou do que o mundo espere dele, seja Joy Boy ou Yonkou, Luffy continuará sendo Luffy, e o bando jamais perdoaria alguém que tentasse roubar a liberdade de escolha de seu capitão.
Acredito que Oda também aproveitou esse momento para transmitir uma mensagem aos fãs: Luffy não mudará sua essência, independentemente do papel que esteja exercendo naquele momento. isso não é nem uma simples questão de interpretação. O próprio Oda já deixou isso claro quando Emeth confunde a Luffy na sua forma de Nika com Joy Boy. Mais tarde, Luffy reafirma sua própria identidade: ele é Monkey D. Luffy, o homem que vai se tornar o Rei dos Piratas. Não é Joy Boy e tampouco tenta ocupar o lugar dele. Emeth também acaba reconhecendo essa realidade: Joy Boy realmente morreu. Luffy apenas herdou sua vontade, e é por isso que Emeth decide protegê-lo.
Retomando a batalha, o capítulo se encerra com todos chocados com o jeito de ser de Luffy. Ele aproveita o golpe de Loki para se impulsionar no martelo e quebrar a defesa do escudo de Imu, mostrando a Gaban que não deve ser subestimado. Luffy sempre esteve sério no combate; o poder de Imu realmente o pegou de surpresa, mas agora o Rei do Mundo vai sangrar.
O que acharam do capítulo? Eu achei épico. Muito mais do que um simples capítulo de “lutinha”, foi um capítulo de superação, reafirmação de identidade e, sobretudo, de força de vontade e determinação.