Sanji e a superação para despertar seu Haki do Conquistador

Esse capítulo parece curto, mas, diferentemente dos anteriores, trouxe algumas revelações interessantes que eu gostaria de abordar aqui no Cantinho do Pirata. Acredito que vai mudar muito o desfecho de Elbaf.

A derrota de Sommers e o domínio do revestimento do Haki do Conquistador de Zoro

Como era previsível, Zoro esmagou sem piedade o cavaleiro fanfarrão Sommers. Após um treinamento que durou dois capítulos, Zoro finalmente conseguiu dominar o revestimento do Haki do Conquistador, intimidando Sommers a ponto de fazer o cavaleiro correr gritando pela própria vida.

Quando a cena é cortada, ouvimos um grito miserável acompanhado de uma explosão épica de Haki do Conquistador, indicando que Sommers finalmente foi abatido pelo nosso espadachim.

Convenhamos, pessoal, essa batalha serviu basicamente para proporcionar a Zoro o aprimoramento necessário para enfrentar os demais Cavaleiros Sagrados, possivelmente até mesmo Shamrock, já que Sommers não passou de um boneco de treinamento. A verdadeira batalha provavelmente acontecerá quando Shamrock retornar. Mas vamos ao que interessa.

Bilbo e o segredo do baú

Esse capítulo só aumentou ainda mais a nossa curiosidade sobre a revelação dos itens do misterioso baú de Bilbo. Já sabemos que, dentro dele, há uma ferramenta e uma carta. Agora, com essas novas informações, descobrimos que a responsável pela carta é ninguém menos que Nefertari D. Lili, uma das vinte monarcas reconhecidas como fundadoras do Governo Mundial e rainha de Alabasta. Também é bom destacar que Lili, ao contrário dos outros dezenove monarcas, optou por não se tornar uma Nobre Mundial e se mudar para Mary Geoise. Entretanto, antes que pudesse retornar ao seu país natal, desapareceu misteriosamente. Agora, aparentemente, o mistério de seu desaparecimento começa a ser esclarecido.

Sabemos que Lili foi responsável por espalhar os Poneglyphs pelo mundo há 800 anos e que deixou uma carta aos seus descendentes, instruindo-os a proteger essas pedras e a erguer a bandeira do amanhecer em um mundo que afunda, revelação essa que os editores deixaram vazar em japonês e os leitores pegaram. Essa mensagem ganhou ainda mais significado após as revelações de Vegapunk e todo o conteúdo que já sabemos.

Mas agora o capítulo nos dá uma nova pista: Lili provavelmente viveu seus últimos dias na terra dos gigantes. Considerando a urgência demonstrada por Bilbo em abrir o baú, mesmo diante do cenário apocalíptico em Elbaf, tudo leva a crer que a ferramenta ou a carta tenha alguma relação com uma possível fraqueza de Imu, o que poderia ajudar os personagens a mandá-lo de volta para a Terra Sagrada.

No entanto, Saul reage com estranheza ao observar o conteúdo do baú, questionando se aquilo realmente esteve guardado ali por centenas de anos. Talvez essa ferramenta tenha uma função semelhante à do nó de corda de Joy Boy, que foi suficiente para fazer Imu perder o controle das formas de Maki dos Gorosei.

Acredito que seja bastante provável que o conteúdo do baú tenha alguma ligação com o Deus Nika original ou com Joy Boy. Também não podemos descartar uma possível relação com o Deus da Guerra de Elbaf, que pode até mesmo ter sido o marido de Lili, considerando a possibilidade de que ela tenha passado o restante de sua vida na terra dos gigantes.

Gunko e o despertar das memórias da princesa Shuri

Após ser descongelada, ironicamente também por Ragnir, Gunko se recupera e se depara com Brook, que pergunta seu nome para confirmar se ela é realmente a princesa Shuri, do extinto Reino de Esperia, ou a cruel Cavaleira Sagrada Gunko que atacou seus amigos e sequestrou crianças.

Ao olhar fixamente para Brook, uma onda de lembranças dolorosas invade seus pensamentos, incluindo uma cena particularmente curiosa de uma mulher deitada, implorando que queria viver. O detalhe mais intrigante dessa lembrança são as janelas, que parecem ser as mesmas do palácio do Reino de Esperia. Isso levanta a possibilidade de que a mulher seja a mãe de Shuri, a rainha Candelle, tornando a sequência ainda mais confusa, talvez propositalmente, para refletir o estado emocional da própria personagem.

Logo em seguida, Brook explica sua condição de esqueleto e revela sua antiga identidade, que havia deixado para trás junto às lembranças dolorosas de um passado distante. Ele confessa que nunca foi capaz de perdoá-la, mas reconhece que, se os acontecimentos daquele dia realmente fugiram ao controle de Shuri, isso significa que ela pode ter sofrido tanto quanto os demais, ou até mais.

Suas palavras levam Gunko às lágrimas, fazendo Brook reconhecer nela a princesa Shuri. Entretanto, logo em seguida, ela afirma que seu nome é Manmayer Gunko e afasta Brook utilizando uma postura de espadachim que ele próprio lhe ensinou durante a infância. Depois, cobre o rosto com a quepe, como se tentasse esconder suas emoções.

Fica bastante evidente que Shuri recuperou suas memórias e está, ao menos temporariamente, fora do controle de Imu. No entanto, sua reação também sugere que ela compreende o perigo de envolver Brook nessa situação, especialmente por conhecer a força aterrorizante de Imu. Mas nem tudo é desespero, pois o Luffy está na ilha, Shuri pode ser a primeira pessoa que Luffy vai libertar das amarras do Maki de Imu, resta saber como Luffy e os demais vão afastar o Imu da ilha.

Sanji e sua fraqueza que impede o despertar do Haki do Conquistador

Voltamos à luta de Sanji contra o Cavaleiro Sagrado Rimoshifu Killingham. Deparamo-nos com um Sanji ensanguentado, enquanto Killingham zomba constantemente do nosso cozinheiro, pois, por mais que Sanji tenha massacrado o cavaleiro inúmeras vezes, ele sempre se recupera graças ao fortalecimento proporcionado pelo Maki de Imu.

Diante desse cenário, Sanji recebe mais um ataque do cavaleiro, uma espécie de raio laser que passa de raspão pelo seu flanco esquerdo. Ofegante, nosso cozinheiro começa a refletir sobre as palavras de Gaban, que havia reconhecido seu potencial para despertar o Haoshoku, mas também apontado que sua estranha tendência à autodepreciação acaba impedindo esse despertar.

Sanji então questiona a razão dessa condição. Entretanto, antes que consiga encontrar uma resposta, Killingham o derruba novamente e perfura seu corpo com a lança fortalecida pelo Maki, fazendo com que memórias que ele mantinha trancadas voltem à tona.

Primeiro, vemos Luffy gritando que a morte não retribui favor a ninguém. Em seguida, somos levados aos acontecimentos do casamento de Big Mom, quando Sanji acreditava que tudo ficaria bem se ele simplesmente se sacrificasse pela tripulação. Essas lembranças reforçam sua tendência à autodepreciação, deixando evidente que Sanji sempre colocou a própria vida a serviço das pessoas que ama, sem jamais se permitir viver plenamente por si mesmo, como se não se considerasse digno disso.

No mesmo quadro, temos um breve flashback de seu treinamento infernal na Ilha Momoiro, no qual Ivankov também identifica essa fraqueza em Sanji, reforçando a ideia de que essa condição vem limitando seu verdadeiro potencial de combate.

Todo mundo já está cansado de conhecer o passado cruel e trágico de Sanji. Em Wano, Oda utilizou esse passado como parte do desenvolvimento que culminou no despertar dos genes da Germa. Agora, tudo indica que essa mesma questão emocional será o combustível necessário para que nosso cozinheiro finalmente supere sua maior fraqueza e mostre ao mundo o tão merecido despertar do Haki do Conquistador.

Esse capítulo também reforça uma preocupação que venho tendo há algum tempo: Oda parece estar caminhando para limitar os confrontos contra os Cavaleiros Sagrados e os Gorosei aos personagens capazes de utilizar o Haoshoku. Se isso realmente se confirmar, poderemos perder boa parte da criatividade e da diversidade de estratégias que sempre marcaram os combates de One Piece.

Considero esse um caminho bastante arriscado e até mesmo preguiçoso do ponto de vista narrativo, pois reduziria a capacidade de enfrentar esses adversários a uma habilidade específica, deixando outros personagens em desvantagem independentemente de suas técnicas ou inteligência em combate. Espero sinceramente que estejamos nos precipitando nessa interpretação.